Última Atualização em 20/agosto/2026 por Redacao
Não existe virada de ano em São Paulo sem a Avenida Paulista lotada de corredores, tochas simbólicas de tradição e a expectativa por mais um recorde nas ruas da capital paulista. A Corrida Internacional de São Silvestre é a prova de rua mais famosa e tradicional do Brasil e da América do Sul, disputada todo dia 31 de dezembro desde 1925. Este guia completo, que nós do Portal Sampa preparamos para você, reúne tudo o que você precisa saber sobre o evento que fecha o calendário esportivo brasileiro ano após ano.
Neste artigo, você vai entender a origem da prova, como funciona o percurso de 15 km pelo centro de São Paulo, quem são os maiores campeões da história, como foi a marcante 100ª edição, realizada em dezembro de 2025, e como se preparar para participar das próximas edições da corrida mais icônica do país.
O que é a Corrida de São Silvestre
A Corrida Internacional de São Silvestre é uma prova de rua realizada anualmente na cidade de São Paulo, sempre no dia 31 de dezembro — data que dá nome ao evento, em homenagem a São Silvestre, o santo do dia no calendário católico. Com um percurso atual de 15 km pelas ruas e avenidas centrais da capital paulista, a corrida é disputada de forma mista desde 1975, quando as mulheres passaram a competir oficialmente ao lado dos homens.
A prova é organizada pela Fundação Cásper Líbero, com apoio de empresas de gestão esportiva como a Vega Sports, e conta com selo Ouro da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e o cobiçado Label da World Athletics — certificação que atesta o alto padrão técnico e organizacional do evento em nível internacional.
A origem da São Silvestre: uma ideia trazida de Paris
A história da São Silvestre começa em 1924, quando o jornalista, empresário e advogado paulista Cásper Líbero viajou a Paris e se encantou com uma corrida noturna na qual os competidores carregavam tochas de fogo, criando um efeito visual marcante sob a luz da noite europeia. Entusiasmado com a experiência, Líbero decidiu trazer a ideia para o Brasil, organizando uma prova semelhante para acontecer sempre no último dia do ano.
Assim, na noite de 31 de dezembro de 1925, foi realizada a primeira edição da Corrida de São Silvestre, com a participação de 48 competidores que largaram do Parque Trianon, na Avenida Paulista. O percurso original tinha cerca de 8,8 km, bem diferente dos 15 km atuais. O vencedor daquela primeira edição foi Alfredo Gomes, atleta do Clube Espéria, que completou a prova em 23 minutos e 19 segundos — e que, além de vencer a primeira São Silvestre da história, também se tornou o primeiro atleta negro a representar o Brasil em uma Olimpíada.
Ao longo de um século, a corrida sobreviveu a diversos desafios históricos, incluindo a Revolução Constitucionalista de 1932 e a Segunda Guerra Mundial, sendo interrompida oficialmente apenas uma vez em toda a sua história: em 2020, por conta da pandemia de Covid-19.
Como o percurso da São Silvestre mudou ao longo dos anos
O trajeto da corrida foi alterado diversas vezes ao longo das décadas, até chegar à configuração atual. Somente em 1991 a prova passou a ter exatos 15 mil metros, distância que permitiu sua inclusão no calendário internacional de provas de rua pela então Associação Internacional das Federações de Atletismo (hoje World Athletics). Entre 2011 e alguns anos seguintes, a chegada chegou a ser realizada no Parque do Ibirapuera, em frente ao Obelisco, mas o trajeto tradicional, com largada e chegada na Avenida Paulista, foi posteriormente retomado e se mantém até hoje.
Percurso atual (15 km): a largada acontece na Avenida Paulista, próximo ao número 2.084, entre as ruas Frei Caneca e Augusta, com largadas por categorias entre 7h25 e 8h10 da manhã do dia 31 de dezembro. O percurso passa por pontos emblemáticos da cidade, como o Estádio do Pacaembu e o Teatro Municipal, e um dos trechos mais temidos pelos corredores é a subida da Rua Brigadeiro Luiz Antônio, considerada um dos momentos decisivos da prova. A chegada acontece em frente ao número 900 da Avenida Paulista, sede do edifício da Fundação Cásper Líbero, organizadora e detentora dos direitos do evento.
Vale destacar que a corrida deixou de ser disputada à noite — como em suas primeiras edições, inspiradas na experiência parisiense de tochas — e passou a acontecer pela manhã a partir de 2011, mudança que também trouxe reflexos para o desempenho dos atletas, com temperaturas e condições climáticas diferentes das corridas noturnas originais.
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Os maiores campeões da história da São Silvestre
Ao longo de cem anos de prova, a São Silvestre já recebeu alguns dos maiores nomes do atletismo mundial. Confira os principais recordes e campeões da história:
Maior vencedor entre os homens: o queniano Paul Tergat, com cinco conquistas (1995, 1996, 1998, 1999 e 2000), foi por muitos anos também o recordista de tempo da prova, até ter sua marca superada em 2019, após 25 anos como detentor do recorde.
Recorde atual de tempo: pertence ao também queniano Kibiwott Kandie, que completou o percurso de 15 km em impressionantes 42 minutos e 59 segundos, superando a antiga marca de Tergat em uma disputa decidida nos metros finais da Avenida Paulista.
Maior vencedora da história: a portuguesa Rosa Mota, hexacampeã consecutiva entre 1981 e 1986 — um feito histórico que a torna a maior campeã geral da prova, à frente inclusive dos recordes masculinos.
Maior campeão brasileiro: Marílson Gomes dos Santos, tricampeão em 2003, 2005 e 2010, é até hoje o brasileiro com mais vitórias na história da corrida, e segue como uma das principais referências nacionais do atletismo de rua.
Outros grandes nomes do atletismo mundial já correram e venceram nas ruas de São Paulo, como o tcheco Emil Zátopek — apelidado de “Locomotiva Humana” —, campeão em 1953, além de medalhistas olímpicos e recordistas mundiais como Frank Shorter, Carlos Lopes, Derartu Tulu e Priscah Jeptoo. Desde 2007, atletas africanas dominam a prova feminina, enquanto os homens do continente africano vencem consecutivamente desde 2011, reflexo da potência do atletismo de fundo queniano e etíope no cenário internacional.
A 100ª edição: um marco histórico em 2025
O dia 31 de dezembro de 2025 marcou um momento simbólico para o esporte brasileiro: a realização da 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, exatamente cem anos depois da primeira prova organizada por Cásper Líbero. A edição bateu recorde de participação, com 55 mil corredores inscritos, superando amplamente o número da edição inaugural, que reuniu apenas 48 atletas em 1925.
As inscrições para a 100ª edição abriram às 10h do dia 25 de setembro de 2025 e esgotaram em menos de seis horas, evidenciando a força e o prestígio que a prova segue exercendo sobre corredores amadores e profissionais de todo o Brasil e do exterior.
A edição também contou com premiação recorde, somando R$ 295.160 no total, sendo R$ 62.600 destinados apenas aos campeões das categorias masculina e feminina — o maior valor já distribuído em uma edição da corrida.
Os campeões da centésima edição
Na disputa profissional da 100ª São Silvestre, a vitória masculina ficou com o etíope Muse Gizachew, enquanto na prova feminina a vencedora foi a tanzaniana Sisilia Ginoka Panga, que completou os 15 km em 51 minutos e 8 segundos, após liderar boa parte da corrida ao lado da queniana Cynthia Chemweno.
O Brasil também teve motivos para comemorar: Nubia de Oliveira terminou em terceiro lugar na prova feminina, repetindo o resultado do ano anterior, enquanto Fábio Jesus Correia também conquistou o terceiro lugar no masculino — sua melhor colocação na história da prova. Ambos os resultados renderam medalhas de bronze para o atletismo nacional em uma das edições mais concorridas da história do evento.
Controvérsias na edição do centenário
Apesar do caráter histórico e festivo, a 100ª edição também enfrentou problemas organizacionais. Os organizadores confirmaram, nos dias seguintes ao evento, a apuração de casos de furto de medalhas e de fraudes por parte de “pipocas” — termo usado no meio da corrida de rua para se referir a participantes que entram no percurso sem inscrição oficial, driblando o controle de acesso da prova. O episódio gerou repercussão entre corredores e reforçou o desafio logístico de organizar um evento de massa com dezenas de milhares de participantes simultâneos nas ruas do Centro de São Paulo.

Como funcionam as inscrições para a São Silvestre
Historicamente, as inscrições para a Corrida de São Silvestre abrem alguns meses antes do evento, geralmente entre setembro e outubro, por meio de plataformas oficiais como o site Ticket Sports. Dado o altíssimo volume de interessados — a edição de 2025 esgotou vagas em menos de seis horas —, é fundamental ficar atento à data oficial de abertura das inscrições, divulgada com antecedência no site oficial da prova.
Para a 101ª edição, marcada para 31 de dezembro de 2026, a organização já sinalizou que o evento será “a primeira dos próximos cem anos”, reforçando o caráter simbólico de reinício de um novo ciclo centenário para a corrida. As inscrições costumam seguir o mesmo padrão de alta demanda das edições anteriores, e o site oficial disponibiliza um sistema de aviso para quem quer ser notificado assim que as vagas abrirem.
A São Silvestrinha: a versão infantojuvenil da prova
Criada em 1993, a São Silvestrinha é a versão infantojuvenil da corrida, organizada também pela Fundação Cásper Líbero, e amplia o alcance do evento para gerações mais novas de corredores. A prova já teve dezenas de edições realizadas e é vista como uma porta de entrada para crianças e adolescentes no universo do atletismo de rua, mantendo viva a tradição da família paulistana em torno da corrida de fim de ano.
Como assistir à Corrida de São Silvestre
Desde 1982, a Corrida Internacional de São Silvestre é transmitida ao vivo para o Brasil e para o mundo pelas emissoras TV Globo e TV Gazeta, consolidando-se como um dos eventos esportivos mais assistidos no encerramento do ano no país. A cobertura costuma começar ainda pela manhã, acompanhando as largadas por categoria e a disputa entre os atletas de elite pelo pódio, além de mostrar a festa dos milhares de corredores amadores que completam o percurso de 15 km pelas ruas centrais de São Paulo.
Dicas para quem vai correr a São Silvestre
Para quem pretende participar da corrida — seja na categoria elite, seja como corredor amador —, alguns pontos merecem atenção especial, segundo relatos de atletas experientes da prova:
Prepare-se para a subida da Brigadeiro Luiz Antônio: um dos trechos mais desafiadores do percurso, especialmente para corredores brasileiros. O tricampeão Marílson Gomes dos Santos já declarou que essa subida é um dos pontos decisivos da corrida, exigindo força física e preparo mental redobrados.
Considere o calor do fim de dezembro: diferente das primeiras edições noturnas, a corrida hoje acontece pela manhã, em pleno verão paulistano — o que exige atenção redobrada à hidratação e ao ritmo de prova, especialmente para quem não está acostumado a correr sob altas temperaturas.
Garanta sua inscrição com antecedência: como o volume de inscritos costuma esgotar em poucas horas, é recomendável acompanhar de perto os canais oficiais da São Silvestre para não perder o prazo de inscrição.
Aproveite a estrutura oferecida: diferente das primeiras edições, quando nem hidratação era disponibilizada aos corredores, hoje a prova conta com postos de água e estrutura de apoio completa ao longo de todo o percurso — um cuidado que ajuda a explicar o nível cada vez mais alto de desempenho dos atletas de elite.
Por que a São Silvestre é tão importante para o Brasil
Mais do que uma disputa esportiva, a Corrida Internacional de São Silvestre se tornou um verdadeiro ritual de encerramento de ano para milhares de paulistanos e brasileiros de outros estados que viajam especialmente para participar. A prova simboliza a força do atletismo de rua no Brasil, reúne atletas profissionais de altíssimo nível e amadores em busca de superação pessoal, e carrega uma centenária tradição capaz de atravessar guerras mundiais, revoluções e até uma pandemia sem deixar de ser realizada — exceto pela única interrupção em 2020.
Com a chegada da 101ª edição, marcada para 31 de dezembro de 2026, a corrida entra oficialmente em um novo ciclo de sua história centenária, reafirmando seu posição como o principal evento do atletismo de rua no Brasil e na América do Sul.

Perguntas frequentes sobre a Corrida de São Silvestre
Quando é a Corrida de São Silvestre? A prova acontece todos os anos no dia 31 de dezembro, sempre nas ruas centrais de São Paulo. A próxima edição, a 101ª, está marcada para 31 de dezembro de 2026.
Qual é o percurso da São Silvestre? O percurso atual tem 15 km, com largada na Avenida Paulista, próximo ao número 2.084, e chegada em frente ao número 900 da mesma avenida, sede da Fundação Cásper Líbero.
Quem criou a Corrida de São Silvestre? A prova foi idealizada pelo jornalista Cásper Líbero em 1925, inspirado por uma corrida noturna que ele assistiu em Paris no ano anterior.
Quem é o maior campeão da história da São Silvestre? Entre os homens, o queniano Paul Tergat lidera com cinco vitórias. Entre as mulheres, a portuguesa Rosa Mota é a maior campeã, com seis títulos consecutivos entre 1981 e 1986. Entre os brasileiros, o destaque é Marílson Gomes dos Santos, tricampeão da prova.
Qual é o recorde de tempo da São Silvestre? O recorde atual pertence ao queniano Kibiwott Kandie, que completou os 15 km em 42 minutos e 59 segundos.
Como assistir à Corrida de São Silvestre pela TV? A prova é transmitida ao vivo desde 1982 pela TV Globo e pela TV Gazeta, com cobertura completa desde as largadas até a chegada dos líderes na Avenida Paulista.
Conclusão
A Corrida Internacional de São Silvestre é muito mais do que uma prova de atletismo: é um símbolo da virada de ano em São Paulo e um dos eventos esportivos mais tradicionais e queridos do Brasil. Da primeira edição em 1925, com apenas 48 corredores carregando o espírito das tochas parisienses, até a marcante 100ª edição de 2025, com 55 mil inscritos e premiação recorde, a São Silvestre construiu uma história de resiliência, superação e paixão pelo esporte que atravessa gerações. Com a 101ª edição já no radar para dezembro de 2026, a expectativa é que a corrida siga reunindo atletas de elite e amadores nas ruas da Avenida Paulista, mantendo viva uma das tradições esportivas mais genuinamente brasileiras que existem.



